Para aqueles que permaneceram inabaláveis, Kodachrome é o único suprimento fotográfico a ter uma música tema, escrita por Paul Simon.
Esse é o exemplo claro da tendência que surgiu nessa década de revitalizar o filme, em comparação com a década anterior, em que as câmeras digitais praticamente esmagaram o mercado analógico. Imagino quais sejam as razões por que muitos estão voltando ou descobrindo o filme pela primeira vez. Existe um sentimento especial ligado a complexidade de operar uma câmera onde você não enxerga o resultado, ligado a noção de que cada foto é única, que a textura e o grão não são apenas características do filme, mas elemento imprescindível na foto. Talvez seja a geração dessa década, justamente por ter mais liberdade de escolha do que as outras, que mais saiba valorizar esse formato, justamente por ser uma opção, e não uma limitação técnica.
Até mesmo os postadores de fotos de orkut que não tem muita certeza do que estão fazendo sacaram que aqueles efeitozinhos que eles colocam tem alguma importância. Não é de se estranhar que todos os softwares de fotografia para celular, mais notoriamente o Instagram do Iphone, dêem um olhar analógico às fotografias do aparelho. Será que nunca se perguntarem afinal de onde vinham aqueles efeitos?
A Kodak reconhece essa fatia de mercado como a mais lucrativa, aliás a única lucrativa. A dívida de quase 7 bilhões de dólares é uma mistura de erros de marketing, produtos equivocados e pouco promissores, e uma dificuldade para entender os consumidores. As hordas de consumidores que lotaram as lojas são compostas de pessoas bem exigentes em termos de qualidade, fidelidade de cores e nitidez. Eles exigem filmes, não impressoras.
No Brasil esse é um assunto que continua restrito às cidades grandes. Enquanto isso aqui no interior, o ressurgimento da fotografia analógica passou despercebido (precisamente ignorado, para ser mais exato).
É irritante ser vítima de comentários do tipo: "mas por que você está fazendo isso? por que você não compra uma câmera digital? você não tem dinheiro para comprar uma câmera digital? não sabe usar? um fotógrafo precisa ter uma Canon EOS!" Posso não ouvir todas essas frases juntas e emitidas pela mesma pessoa, mas elas se repetem de tempos em tempos. Em Bagé, por exemplo, enquanto os poucos laboratórios que existem reduzem a gama de serviços ou oferecem resultados pífios em termos de revelação e escaneamento, os consumidores não poderiam estar menos interessados. O fotógrafo do interior não tem no topo dos objetivos o domínio de diversos formatos, suportes e câmeras distintas... ele tem uma Canon EOS.










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