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2011/08/21

Chris Marker / La Jetée / Sans Soleil.. Sigue Sigue Sputnik o.O

Primeiro post com conteúdo textual dos últimos dias e embora não seja uma coleção de informações realmente muito úteis na vida cotidiana de vocês, concerteza será no mínimo divertido. E recomendo que vejam os filmes.

Esta banda chamada Sigue Sigue Sputnik foi formada em 1982 pelo um tanto talentoso e um tanto esperto baixista Tony James, que se inspirou numa mistura de ficção científica, Japão, eletrônicos, moda e sons futuristas para criar o que ele próprio descreveu como Hi-tech sex, designer violence, and the fifth generation of rock 'n' roll. Ele se juntou ao vocalista e designer de moda Martin Degville e mais quatro pessoas sem qualquer conhecimento musical que, após alguns anos trancafiados nos porões da loja de roupas YaYa, trouxeram ao mundo a visão deles da mais extravagante fantasia cibernética, antes mesmo de haver um cyberespaço de verdade.

Sigue Sigue Sputnik viu o fim depois de apenas dois álbuns, alguns singles e os típicos desentendimentos das bandas que duram pouco tempo. Hoje os clipes e apresentações da banda juntam uma legião de fãs na internet, o que de certa forma, é o lugar onde pretendiam estar desde o começo.


A música em questão é esta, Dancerama, faixa do segundo e último álbum da formação original da banda. O video clip de Dancerama foi gravado em Paris e consiste numa história de viagem no tempo contada através de fotografias e apenas uma cena em movimento. A história começa com a vaga lembrança de um aeroporto e uma morte terrível. Segue no futuro distante onde a Terra foi praticamente dizimada por guerras, um homem é escolhido para viajar no tempo e recuperar o passado, pois os cientistas sabem que apenas aquele que for capaz de conceber a vida numa outra época é capaz de sobreviver a viagem. E.. eu não vou contar a grande sacada da coisa ou o final da história, mas se você nunca viu o clip, talvez tenha identificado a sinopse de um desses dois filmes:

12 Macacos é um filme de 1995, escrito por Terry Gillian e protagonizado por Bruce Willis, que reconta a história do mesmo viajante do tempo que também tem certas lembranças de algum certo aeroporto e a missão de mudar o passado, dessa vez não impedindo uma guerra mas evitando a disseminação de uma doença. Este filme tem seu roteiro brilhantemente adaptado do filme original (e muito menos conhecido) La Jetée, do francês Chris Marker.










Marker utilizou sua técnica narrativa com fotografias e montagens para contar esta mesma história num filme produzido em 1962. Embora não seja tão conhecido do público geral quanto o filme com Bruce Willis, serviu de inspiração tanto para o videoclip de Dancerama quanto para o roteiro de 12 Macacos.

Todos os trabalhos desse diretor são originais e inventivos em termos de técnica e narração. Um que destaco como dos mais enigmáticos foi produzido com cenas no Japão e na África. É um diário de viagem contado na forma de cartas lidas por um cineasta que viaja o mundo e pouco a pouco voltou sua atenção apenas para as coisas mais banais do cotidiano: jovens dançando próximos a estação de Harajuku, pessoas entrando e saindo de trens, participando de um festival, vendo lutas de sumô na TV, lendo mangás, vendo televisão...

Provavelmente, ele sugere, seria a história de um visitante do futuro que vai ao passado em busca de um entendimento que o mundo perfeito do ano 4000 não pode oferecer. Ser emocionalmente afetado por uma música, uma imagem ou um evento, entender o mundo do tempo presente. Sans Soleil é uma viagem no tempo através de memórias e pensamentos e como toda memória não passa indiferente a interpreção de seu detentor, Sans Soleil pode chegar a momentos que ao menos no meu ver são um tanto bobos. Afinal, por mais divertido que Pacman seja, entendemos sua essência sem julga-lo como metáfora do destino da humanidade.

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